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Fev 21 2018 0

Sete tendências que vão marcar os combustíveis em 2018

Quem trabalha no sector dos combustíveis diz sempre que é muito difícil fazer previsões, mas há características de mercado que permitem fazer leituras cautelosas de como será o futuro imediato. O Expresso contactou alguns especialistas e apresenta as tendências para 2018.

1. Preço do barril nos 60 dólares.

O preço do barril aumentou mais de 10% desde 30 de novembro e no início deste ano chegou a ultrapassar os 70 dólares. Mas para o secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO), António Comprido, a tendência é que o preço se mantenha, em média, nos 60 dólares por barril, porque “já não há os excedentes que existiam o ano passado, levando a um corte da produção”. Contudo, “haverá sempre condicionantes geopolíticas e questões no Médio Oriente” e ainda a normal volatilidade do câmbio do euro para o dólar que pode influenciar o preço do dia para a noite. Mas “não vamos voltar a ver preços de 100 ou 150 dólares por barril, como em 2012, nem preços de 20 ou 30 dólares, como em 2015”. E explica: “O petróleo é ainda a única fonte de receita de muitos países e o custo social que ele tem é muito importante. Há casos em que 20 dólares pagam o custo de produção, mas depois vendem a 40 dólares porque a diferença é rendimento para a economia.”

2. Preços estáveis nos combustíveis.

Se os preços do petróleo subiram nos últimos meses de 2017 é inevitável que tenham também aumentado os preços dos combustíveis. “Cerca de 20% em três meses”, reparou Gustavo Paulo Duarte, o presidente da Associação Nacional dos Transportes de Mercadorias (ANTRAM), um dos sectores onde os combustíveis têm mais peso (31% das operações).
Mas se não são esperados novos aumentos a curto prazo nem grandes oscilações nos preços do barril de petróleo durante este ano, o mesmo se passa nos preços de venda ao público dos vários tipos de combustíveis. Ou seja, a expectativa é que se verifique o sobe e desce normal de alguns cêntimos por litro.

3. Mais receita dos impostos.

Em 2016, o imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP) foi o que mais pesou no aumento da receita geral do Estado com impostos e, em 2017, houve um novo aumento de 3,2% para um total de 3364,4 milhões de euros. Este crescimento explica-se com o aumento do imposto e do consumo dos combustíveis e não tanto com os preços, até porque estes estiveram mais baixos, pelo menos até novembro, nota António Comprido. Para este ano, apesar de o ISP ter voltado a subir e de os impostos serem uma fatia cada vez maior do preço final que se paga por litro de combustível, é esperado que o consumo continue a crescer, logo, a receita deverá aumentar. “Quem fez o aumento do ISP pouco percebe do impacto que este tem. Está a pensar apenas na receita. O imposto e o preço do combustível devem ser ajustados à realidade do país. Por exemplo, em Portugal, um motorista ganha três ou quatro vezes menos do que um motorista alemão”, comenta Gustavo Paulo Duarte. Além disso, acrescenta António Comprido, a receita do IVA também sobe porque se trata de um imposto sobre o consumo. Havendo mais consumo, as receitas arrecadadas pelo Estado são superiores às do ano anterior.

4. Consumo a subir.

Para António Comprido o que mais influencia o consumo de combustíveis é o estado da economia e não os preços altos ou baixos. Por exemplo, as empresas de transporte de mercadorias têm de abastecer os carros, independentemente do preço do combustível. Ou seja, mesmo os preços sendo agora mais altos do que eram até novembro, o consumo de combustível deverá continuar a subir em 2018, uma vez que a economia tem estado a mostrar sinais de crescimento. E isto é válido tanto para particulares como para profissionais. “Tivemos mais trabalho, de facto, mas ainda não estamos nos valores pré-crise”, afirma Gustavo Paulo Duarte.

5. Carros mais eficientes.

O aumento do consumo pode ser afetado pelo parque automóvel, que é cada vez mais novo e eficiente e gasta menos. “Têm aumentado muito as vendas de carros novos e, por exemplo, num camião isso faz muita diferença. Um camião novo gasta 10 ou 20 por cento menos do que um com dez anos”, repara António Comprido. Além disso, o crescimento do consumo que se diz ter sido verificado em 2017 pode estar deturpado por causa da criação do regime do gasóleo profissional, que devolve o valor dos impostos no gasóleo às transportadoras de mercadorias com camiões com mais de 35 toneladas e, assim, evitam ir a Espanha abastecer. “Não sei se o aumento foi por via da melhoria da economia se por termos ido menos a Espanha. A minha empresa consumia um milhão de litros em Espanha e 400 mil em Portugal, em 2017 foi exatamente o contrário”, diz Gustavo Paulo Duarte.

6. Gasóleo profissional estabiliza.

E por falar em gasóleo profissional, segundo António Comprido não deverá haver muitas mais adesões a este regime em 2018. “A maior parte das empresas que o queria fazer, já o fez”, comenta. Segundo dados do Governo revelados em setembro do ano passado, no primeiro semestre de 2017, aderiram a este regime 1955 empresas, que fizeram mais de 4,7 milhões de abastecimento e recuperaram 7,7 milhões de euros através do reembolso. Segundo o secretário-geral da APETRO, a única forma de haver mais adesões era alargar o regime a viaturas mais pequenas, por exemplo, as que fazem a distribuição de um supermercado, e não só aos camiões TIR. Esta é, aliás, uma reivindicação da ANTRAM, que diz que só assim “o Estado estaria verdadeiramente a ajudar o sector e não apenas a procurar mais receita dos impostos cobrados sobre os produtos petrolíferos”. António Comprido vai mais longe ao afirmar que dificilmente o Estado alargará o regime, pois estaria deste modo a dar um desconto direto às pequenas transportadoras que já abastecem e pagam os impostos cá.

7. Combustível simples preferido.

Um estudo realizado pela Nova IMS em abril de 2017 e divulgado pela BP revelou que 51% dos portugueses preferem abastecer em postos de marca, mas segundo António Comprido isso não quer dizer que optem pelo combustível aditivado. Aliás, o secretário-geral da APETRO nota que os dados oficiais da Entidade Nacional para o Mercado dos Combustíveis (ENMC) mostram que os combustíveis simples têm 63% de quota de mercado enquanto os aditivados têm 37%. “As marcas continuam a vender mais porque têm mais postos e estão bem localizados. Apesar de ter havido uma recuperação dos aditivados, esta foi muito ligeira. O preço conta muito neste caso, mas conta também a fidelização às marcas. As pessoas não mudam este tipo de hábitos assim tão depressa”, remata António Comprido.

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